Tá vendo essa onda de gente na internet falando que a década de 80 era perfeita? É um tal de guru dizendo que a tecnologia destruiu a conversa de verdade, que antes todo mundo se abraçava e que aquela época é que era boa. Olha, me desculpe, mas como alguém que viveu aquilo tudo na pele — jogando bola na rua, trocando cartucho de Atari e encarando o corre pesado do dia a dia no Rio de Janeiro —, eu preciso mandar a real: essa saudade toda é a maior farsa.
Quem teve a juventude ali e viveu com intensidade, com presença total, não fica com essa carência toda hoje. Eu vivi o meu momento, curti o que tinha para curtir e não sinto saudade nenhuma daquela época.
Brincadeira de Rua Era Falta de Opção, Não Poesia
O pessoal adora dizer que antigamente a gente era mais feliz porque vivia na calçada. A verdade nua e crua? A gente brincava na rua por falta de opção! Dentro de casa não tinha tecnologia, não tinha smartphone, e videogame era um artigo de luxo que pouquíssimos tinham. Quando o sujeito tinha a sorte de ter um Atari, comprava um cartucho caro e enjoava. O jeito era ir pra rua jogar bola, taco ou pique-tá porque não restava outra coisa pra fazer.
Aí vêm falar da "beleza" de ir na casa dos outros sem avisar. Pelo amor de Deus, isso não era carinho, era falha de comunicação! Para falar com alguém, você tinha que ir ao orelhão, ter ficha, ou mandar recado na associação de moradores para baterem na sua porta. Você cruzava a cidade no escuro e corria um risco imenso de dar com a cara na porta porque a pessoa nem estava em casa. Sinceramente, ter saudade de não conseguir se comunicar é gostar de sofrer.
"Sentir saudade de não ter como mandar uma mensagem antes de sair de casa ou de depender da sorte para achar um amigo na rua não é valorizar a conexão humana, é saudosismo da complicação."
A Rua Mudou: A Questão da Segurança Urbana
Outra conversa fiada é dizer que a molecada de hoje não vai pra rua por culpa do celular. Eu morei num conjunto até os meus 11 anos que era uma tranquilidade só. Mas bastou o bairro crescer que a marginalidade tomou conta. De repente, tinha gente armada andando na rua. A realidade mudou!
Se a rua virou um perigo, você vai deixar seu filho se expondo à toa? Lógico que não! Hoje, com um celular ou computador, o jovem tem um mundo de entretenimento e aprendizado dentro do quarto, em segurança. Ficar em casa deixou de ser isolamento e passou a ser proteção.
Não Foi a Tecnologia Que Afastou As Pessoas, Foi a Vida Adulta
Eu tô com 52 anos. Me afastei de muita gente daquela época, mas sabe por quê? Por causa da vida! Por causa do trabalho, do casamento, das responsabilidades de manter uma casa. Quando a gente é moleque nos anos 80, a gente tá doido pro mundo acabar em açúcar pra morrer lambendo calçada, não tem preocupação com nada.
Na vida adulta, o tempo encurta. Eu mesmo cansei de sair do trabalho, chegar em casa e continuar sentado no computador até de madrugada pesquisando defeito que não solucionei no cliente, só para dar a resposta no dia seguinte. Quem reclama que perdeu contato com os amigos por causa do WhatsApp, na verdade tá é com saudade da falta de boleto pra pagar.
O Perregue do Trabalhador Nos Anos 90
Quem romantiza os anos 80 e 90 com certeza não encarava a rotina do trabalhador. Eu trabalhei em shopping no Rio, pegando plantão de 12 horas. Saía 10 da noite do Rio Sul, chegava 11 horas na Central do Brasil e ia pro pé do Morro da Providência tentar pegar ônibus pra Zona Oeste. Quando perdia a condução, tinha que ir pro centro de Campo Grande, pegar Kombi e ainda andar 30 minutos a pé de madrugada pela Avenida Brasil até em casa.
Teve época de eu trabalhar no Recreio e sair 11 horas da noite. Como o último ônibus que saía de Santa Cruz pra vir pro centro passava 9:30 da noite, eu nunca conseguia pegar. Chegava em Santa Cruz por volta de meia-noite, uma da manhã, e não tinha aplicativo nem nada. Ou eu esperava o primeiro 388, que só passava 3:30 da manhã, ou pegava um táxi. Só que a passagem de ônibus era centavos, e uma corrida de táxi dava 40, 50 reais! Pra quem ganhava 400 reais por mês, aquilo era uma fortuna impraticável. O único remédio era sentar na marquise em Santa Cruz e ficar ali cochilando, com a mochila presa nas pernas de madrugada, esperando dar o horário do ônibus. Hoje a pessoa aperta um botão no celular, pede um carro de aplicativo e vai pra casa na maciota. E ainda tem gente que diz que "naquela época era melhor"? Tá de sacanagem!
| O Perregue Antigamente | A Facilidade de Hoje |
|---|---|
| Espera de horas na marquise sem ter como voltar pra casa. | Carro de aplicativo na porta a qualquer hora da noite. |
| Cartas e recados na associação para tentar se comunicar. | Mensagem entregue em segundos pelo WhatsApp. |
| Pesquisa lenta em manuais para resolver pica no trabalho. | Acesso instantâneo à solução na internet. |
O Teste do Tempo: Onde Estão os "Malandros"?
Naquela época, a turma achava bonito ser "malandro". O sujeito com 14 anos já queria bancar o adulto, namorar pesado, virar a noite na rua e se achar o esperto da turma. E quem queria estudar ou ficava em casa era visto como o "bobão" ou o "nerd".
Sabe o que o tempo mostrou? Que a maioria daqueles "espertalhões" queimou etapas, virou pai precoce e a vida levou cedo. Não estão mais aqui para contar história. Quem sobrou pra contar história foi justamente o pessoal que trabalhou, que estudou, que teve juízo e encarou a realidade. Hoje eu vejo conhecidos da minha idade já com neto no colo e me dou conta: o tempo passou! Cada fase tem o seu valor. Eu vivi a minha juventude no volume máximo, aproveitei tudo o que podia e não fiquei devendo nada ao passado.
Conclusão
A tecnologia não veio para estragar a vida de ninguém; ela veio para facilitar, tirar o sofrimento do dia a dia e dar dignidade ao trabalhador. O problema não é o celular, é a falta de responsabilidade de quem usa e a imaturidade de quem já tá de barba branca, mas continua com a cabeça de adolescente achando que o tempo não passou.
Eu agradeço tudo o que vivi nos anos 80 e 90, mas não tenho vontade nenhuma de voltar para aquele tempo de escassez e complicação. O passado cumpriu o papel dele, e o presente — com todo o conforto e praticidade que a gente conquistou — é onde a vida de verdade acontece.
E você, viveu essa época ou acha que o passado era essa maravilha toda mesmo? Deixe seu comentário aí embaixo e vamos trocar essa ideia!
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