O Futebol dos "Cientistas" e a Morte do Nosso 10
Vivemos tempos estranhos. Tempos em que o futebol, aquele que aprendemos a amar nas ruas, nos campos de barro e nas arquibancadas de São Januário, parece ter sido sequestrado por uma prancheta. Entramos na era da "Síndrome de Guardiola", um vírus que infectou desde a Seleção Brasileira até o dia a dia do nosso Vasco da Gama.
O diagnóstico é claro, mas ninguém lá dentro quer admitir: trocamos a mágica pela mecânica. Hoje, não se joga mais futebol; executa-se um sistema.
O técnico vira um cientista e o jogador, um robô. O zagueiro agora tem que ser "construtor" e sair driblando dentro da própria área — e se ele perde a bola e o time toma o gol, o técnico diz que "o processo está correto". O goleiro, que ganha cifras astronômicas como o nosso Léo Jardim, vira um armador de jogadas enquanto a defesa fica um buraco. É o mundo invertido: o goleiro evita a derrota, mas quem deveria buscar a vitória está preso em funções burocráticas.
"E o que falar do nosso camisa 10? Essa é a maior tragédia."
E o que falar do nosso camisa 10? Essa é a maior tragédia. O futebol brasileiro, que sempre foi a terra do talento e do improviso, hoje mata o seu criador. O meia pensante, aquele que quebrava linhas com um passe e deixava o centroavante na cara do gol, foi substituído pela "força bruta" e pela correria dos pontas invertidos. O canhoto na direita, o destro na esquerda... tudo previsível, tudo engessado. Se o esquema não funciona, o time morre abraçado com a tática, sem a rebeldia do "bad boy" que chama a bola e diz: "deixa comigo".
O caso de Philippe Coutinho e a sua saída precoce é o retrato fiel disso. De que adianta ter a grife se o esquema o obriga a ser o que ele não é? Enquanto isso, nomes que conhecem o cheiro do gramado e o peso da nossa camisa, como o Jorginho — que nos trouxe de volta da Série B com simplicidade e honestidade — são escanteados em prol de "inventores de moda" que preferem perder com suas convicções do que ganhar com o básico.
O Vasco não é laboratório. A Seleção Brasileira não deveria ser experimento para técnico estrangeiro. O futebol é um jogo de quem faz mais gols, não de quem tem a posse de bola mais bonita na própria defesa.
Enquanto a síndrome de copiar a Europa continuar, seguiremos vendo times comuns fazendo partidas competitivas apenas com o "feijão com arroz", enquanto os gigantes se apequenam em teorias. O que mantém o Vasco grande hoje não é a SAF, não é o Dinizismo, nem o "amor ao trabalho" da diretoria. É a torcida. Aquela que grita, que cobra e que sabe que, no final das contas, o futebol é feito de raízes, de um 4-4-2 bem montado e de alguém que saiba, de fato, o que fazer com a bola nos pés.
Menos prancheta, mais coração. O futebol respira por aparelhos, e o remédio não está na Europa; está na nossa própria história.

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