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A Capoeira Que Eu Perdi No Caminho (E Onde Encontrar De Novo)
Senta aqui que a prosa é longa e gostosa. Vamos falar de capoeira, mas daquela capoeira que a gente sente, não da que a gente decora.
Passei 30 anos nessa arte, com altos e baixos, daquele jeito que a vida permite. Hoje tenho 51, o corpo já não responde igual, e tudo bem. Mas esses dias vi um vídeo que me fez parar. Tinha um capoeirista jogando com tanta naturalidade que parecia flutuar. Ele não tava fazendo força pra ser bonito. Ele simplesmente saía do movimento do outro e respondia com uma elegância que roubava a cena sem querer roubar.
E aquilo me pegou.
Me fez lembrar de quando eu jogava sem essas amarras todas. Quando minha preocupação não era bater no outro, era não ser atingido. Quando eu queria entender a pergunta que o outro capoeira tava fazendo com o corpo e responder no tempo certo, na hora certa, abrindo espaço pra respirar e quem sabe até florear.
Mas no meio do caminho, eu mudei de grupo. Fui pra um maior, mais organizado, onde eu só queria treinar e usar a capoeira como válvula de escape do estresse. E lá começaram os "ajustes": o braço tem que ficar assim protegendo o rosto o tempo todo, o pé tem que estar inteiro no chão na negativa, não pode desse jeito, tem que ser daquele.
E aos poucos, sem perceber, fui perdendo minha naturalidade. Fui virando um capoeirista de manual, preocupado com a postura certa, com o movimento exato. A ginga foi ficando dura. A conversa foi virando monólogo.
O que eu não entendia na época é que aquelas "correções" estavam matando a minha mandinga. Capoeira não é sobre acertar a forma. Capoeira é sobre não ser atingido enquanto você conversa com o outro corpo no meio da roda.
A maior parte da minha vida joguei em roda de rua. E lá não tem graduação, não tem faixa, não tem "meu mestre mandou". Lá você olha pro jogo e pensa: "dou conta?" Se sim, entra. Se não, admira. Simples assim. O respeito é outro.
Hoje, depois de 6 meses parado, tô pensando em voltar. Mas voltar diferente. Voltar sem bandeira. Sem grupo pra representar. Sem obrigação de acertar o ângulo do braço.
Quero voltar pras rodas de rua que conheço, entrar devagar, sentir o berimbau e deixar o corpo lembrar. Se o floreio vier, bem vindo. Se não vier, tudo bem. O importante é o jogo fluir, é a conversa acontecer.
E se a lida esquentar? Se o jogo pedir luta? Eu ainda tenho meu trunfo: 30 anos de instinto de não deixar ser acertado. Isso ninguém ensina em academia. Isso é memória do corpo. É sobrevivência. É capoeira de verdade.
Se você também sente que perdeu um pouco da sua naturalidade no meio de tantas regras e métodos, meu conselho é simples: volta a brincar. Coloca um berimbau pra tocar, mexe o corpo sem compromisso, frequenta uma roda sem compromisso de grupo. A capoeira que flutua não tá nos manuais. Ela tá na mandinga que a gente traz de volta quando para de tentar acertar e começa a simplesmente jogar.
Prof. Esttylo and Cara De Peixe
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